A TRILOGIA DO DESTINO

KARMA, DHARMA E LIVRE ARBÍTRIO

Por que alguns nascem com tantas dificuldades e outros não? Por que alguns nascem com tantos problemas de saúde e outros gozam de excelente vitalidade? Será tudo isso obra do acaso ? Não. Isso chama-se destino de uma alma. Uma combinação de três Leis Naturais: karma , dharma e Livre Arbítrio.

O Bhagavad Gita diz que “ sua capacidade e seu direito de escolha são somente quanto à ação, jamais quanto aos seus resultados” (cap. II – 47) . Isso quer dizer que tenho liberdade para escolher que tipo de ação desejo executar. Possuo livre arbítrio, o que me faz um Ser livre para experimentar tudo aquilo que desejo. Mas, uma vez que a ação foi feita, não tenho nenhum controle sobre seu resultado e este pode me dar prazer ou dor. Entre experiências de prazer e dor, vou amadurecendo meu Ser, retirando as sombras da ignorância e aprimorando a capacidade de escolha. E quanto mais eu aprimoro o livre arbítrio, mais adequada se torna a ação, mais ampla é a minha liberdade e maior a sintonia com a Vontade Divina.

Feita a ação, o resultado ocorrerá. Esta é a Lei Natural do karma . Karma é uma palavra sânscrita que significa “ação”. Ao seu resultado chamamos de “fruto da ação”. Não há escolha quanto a ele. Ele não mudará para satisfazer o executor da ação. Se planto uma bananeira, seu fruto será banana; jamais será maçã ou qualquer outra fruta. Da mesma forma esta Lei se manifesta em outros níveis. Por exemplo: se planto amor, seu fruto será ser amado; mas, se planto a maledicência, seu fruto será ser injuriado, cedo ou tarde, não há escolha. A Lei Natural do karma é a lei da responsabilidade pelos atos praticados.

O karma está conceituado em três formas: sanchita , prarabdha e agami . Sanchita é o karma que se acumulou por todas as vidas anteriores. Prarabdha é a porção do karma acumulado que o indivíduo deverá vivenciar aos poucos numa única existência. Agami é o karma feito nessa vida e que produzirá frutos bons ou ruins no futuro, conforme a qualidade da ação.

Das três formas de karma , o prarabdha é o que está condicionado à Lei Natural do dharma . A hereditariedade, as habilidades e limitações naturais, o tipo de nação que vivemos, sua sociedade, sua cultura e seu meio ambiente, as pessoas de vidas passadas que vamos reencontrar e que nos trouxeram prazer ou dor são alguns dos fatores determinados pelo dharma e que formam o prarabdha . Quando o prarabdha se extingue, o corpo morre e passamos para um novo plano de existência, onde fazemos uma revisão do karma queimado e do karma adquirido ( agami ). Sendo assim, nos preparamos para um novo nascimento com um novo prarabdha karma .

Devemos estar sempre atentos a todas as situações que se repetem em ciclos. São nessas ocasiões que identificamos o prarabdha e que temos a possibilidade de aprendizado, de queimá-lo através da aceitação das ações passadas, das quais recebe-se agora o fruto. Na maior parte das vezes, nós readquirimos karma , já que, por ignorância, reagimos mau ao prarabdha . Por isso devemos estar sempre atentos a todas as situações que se repetem em ciclos, preocupando-se somente com as ações presentes. Devemos reconhecer que as nossas ações do passado são responsáveis pela nossa maior compreensão hoje. Se dizemos “eu não deveria ter feito isso”, é porque, no passado não pensávamos assim, tanto que agimos de tal modo. Só há crescimento quando não reagimos às ações feitas no passado nem aos seus frutos. Só há crescimento quando há aceitação e gratidão ao Criador à oportunidade de resgatar o karma .

Conforme vamos atravessando o ciclo de nascimentos e mortes, vamos ganhando experiência e os frutos das ações passadas vão amadurecendo. Com isso, possibilitamos que o sanchita karma se manifeste como prarabdha . Essa manifestação ocorre de forma ordenada. Essa ordenação é feita pela Lei Natural do dharma . Portanto, dharma é a lei organizadora e equilibradora do nosso processo individual de crescimento espiritual. Dharma significa “dever, justiça, lei”. É algo vivo, presente em cada respiração, que pulsa dentro de nós, levando-nos ao reconhecimento de nossa realidade divina. É aquele mestre que sabe exatamente como conduzir nossa consciência a um estado de plenitude, permitindo-nos pelo livre arbítrio, experimentar, observar e estudar a vida, para depois discernir, através de ações ( karma ), o que está de acordo com o Plano Divino e o que está em desacordo.

Quando um Ser vive em harmonia com sua própria natureza e, consequentemente, com o Plano Divino, diz-se que está cumprindo o seu dharma ; é um Ser em virtude. De acordo com o Bhagavad Gita : “Melhor é cumprir o seu próprio dharma, embora de modo imperfeito e de boa fé, do que cumprir bem o dharma alheio; quem cumpre devotadamente o seu dever é livre de pecado” (cap. III – 35).

OM SHANTI PREMA OM

NARADA

Dr. Roberto Nogueira

Fisioterapeuta, Terapeuta dos Campos Sutis e Prof. de Yoga