A CORPORIFICAÇÃO DA ENERGIA E A ENTRADA DO SELF

Uma verdade, uma hipótese ou um delírio?

O conhecimento da formação do corpo humano é de valor fundamental para a compreensão das relações entre as estruturas do corpo e do sistema energético sutil (rede de nadis e chakras).

A corporificação da energia e a entrada do self, bem como o desenvolvimento embrionário inicia-se com a fertilização dos gametas, através da entrada do veículo mais sutil da alma humana – o anandamaya-kosha . No momento em que o óvulo (manifestante da energia da mãe) é fecundado pelo espermatozóide (manifestante da energia do pai), o código genético é programado pelo Campo de Intencionalidade da Alma (a terceira pessoa do princípio trino de Deus) a partir do dharma e do karma que a compete, conforme seu livre arbítrio. Portanto, o arranjo genético do Ser que está se corporificando é feito a partir das informações mais sutis contidas em anandamaya-kosha , nosso veículo que contém o propósito divino da Criação, nossas aspirações e experiências mais profundas.

Anandamaya-kosha constitui o nosso campo da consciência, onde armazenamos nossas alegrias e tristezas mais fortes, manifestando-se como um campo no qual permanecemos identificados ao apego da existência corporificada, quando se encontra no estado não-desperto. Em seu estado desperto, corresponde ao estado de indiferenciação, própria do Eu Superior que está em contato direto com a Essência Divina ou o Campo das Infinitas Possibilidades de manifestação.

A fertilização dos gametas estimula o zigoto a passar por uma série de rápidas divisões chamadas de clivagem, resultando em um rápido aumento do número de células. Esta divisão começa provavelmente entre 30 e 36 horas depois da fertilização, formando duas células-filhas conhecidas como blastômeros. Divisões subsequentes através do processo de clivagem produzem uma quantidade de células-filhas menores produzindo a mórula que é do mesmo tamanho do ovo. O tempo exato não se sabe, mas provavelmente 2 a 3 dias são necessários para estas clivagens.

No quarto dia ocorre a entrada do próximo veículo de manifestação do homem – o vijñanamaya-kosha – e as células da mórula se organizam em uma camada externa chamada trofoblasto que dará origem à parte embrionária da placenta e uma interna, conhecida como massa interna ou embrioblasto, que dará origem ao embrião e à cavidade blastocística. Juntas constituem o blastocisto. O vijñanamaya-kosha é o veículo do discernimento, onde se estabelecem as diferenças entre o eu e o não-eu. Com a manifestação deste veículo, as células se diferenciam entre as que formarão o corpo com suas estruturas orgânicas e as que formarão o que está em torno (a placenta) e que não pertencem ao corpo.

Vijñanamaya-kosha constitui o campo da inteligência e serve como intermediário entre o mundo exterior, experimentado pela mente e pelo corpo através dos sentidos, e o mundo interior, próprio da consciência que transcende os sentidos. Sem o desenvolvimento adequado de vijñanamaya-kosha a energia essencial de anandamaya-kosha não pode se manifestar.

O estágio de blastocisto é alcançado logo depois que o ovo alcança o útero, onde permanece livre na cavidade uterina por mais ou menos 3 a 5 dias. No sexto ou sétimo dia após a fertilização o blastocisto se fixa no endométrio. Usualmente a implantação ocorre na parede posterior do útero próximo ao fundo.

Quando a implantação do blastocisto termina, devido a entrada de manomaya-kosha (terceiro veículo de manifestação), ocorrem alterações morfológicas na massa celular interna para a formação do disco embrionário bilaminar. Manomaya-kosha é o veículo de raciocínio, de manifestação do pensamento, onde se registram as experiências de prazer e dor, os gostos e aversões e que dá a noção de tempo (passado e futuro) e espaço (alto/baixo, frente/trás, esquerda/direita, perto/longe).

Manomaya-kosha constitui o campo da mente; de onde surge o processo dos pensamentos concretos, exclusivamente individuais e formais. A mente nos faz atuar no mundo exterior para afirmar nossa identidade como criatura corpórea. Através dela, nos identificamos com a forma, com os hábitos, com as rotinas, etc. e temos uma função em relação as outras criaturas. A mente consiste das impressões que guardamos dos ambientes através do tempo, captadas pelos órgãos dos sentidos (audição, tato, visão, paladar e olfato), juntamente com as emoções e idéias associadas a esses sentidos.

O disco embrionário, composto de duas camadas (epiblasto e hipoblasto), forma respectivamente o ectoderma e o endoderma. Com a organização de duas camadas, formam-se também duas cavidades: (a) a cavidade amniótica , pequena, localizada na parte superior, em contato com o epiblasto que corresponde à face dorsal do embrião, e (b) o saco vitelino , maior, localizada na parte inferior, em contato com o hipoblasto que corresponde à face ventral do embrião.

No início da terceira semana, um espessamento do epiblasto aparece caudalmente na linha média da face dorsal do disco embrionário conhecida como linha primitiva. Logo após o aparecimento da linha primitiva, células da camada profunda do epiblasto se diferenciam e migram para o espaço entre as duas lâminas (epiblasto e hipoblasto) para formarem o mesoblasto (uma camada de tecido frouxo denominado mesênquima). Este tecido logo se constitui no mesoderma embrionário, dando origem a terceira camada germinativa do disco embrionário trilaminar. Todo esse processo é determinado pela entrada de mais um veículo de manifestação – o pranamaya-kosha .

O pranamaya-kosha é um importante veículo de manifestação das atividades psíquicas. Este veículo é constituído de energia vital ou psíquica chamado de prana , responsável pelos cinco movimentos dos elementos grosseiros (geração ou respiração, digestão ou assimilação, distribuição ou circulação, ação de resposta ou cognição e eliminação), bem como dos cinco órgãos de ação e expressão (genitais, ânus, mãos, fala e pés) e dos cinco órgãos de percepção (tato, visão, paladar, audição e olfato). O pranamaya-kosha é formado por uma rede de canais ( nadis ) e de vórtices ( chakras ) das energias sutis, que fazem todo o processo de percepção, elaboração e expressão do que foi vivenciado.

Do ectoderma surgirá a epiderme e o sistema nervoso. Do endoderma se formará a camada epitelial do tubo digestivo e do aparelho respiratório, bem como as células glandulares de expansões do tubo intestinal que darão origem ao fígado e pâncreas. Do mesoderma se originará nas camadas internas a musculatura lisa dos órgãos, o tecido conjuntivo e os vasos sanguíneos que os irrigam, além das células sanguíneas e da medula óssea, ao esqueleto, aos músculos estriados que promovem o movimento e a expressão do corpo e aos órgãos reprodutores e excretores.

Com a entrada de pranamaya-kosha , formado por uma rede chakras e nadis , começa o desenvolvimento dos aparelhos orgânicos que fazem a manutenção da vida física (respiratório, cárdio-vascular, digestivo, renal e excretor), bem como dos aparelhos de ação e expressão (locomotor, perineal, reprodutor e fonador) e os sistemas de comando e organização do Ser (nervoso, imunológico e endócrino), todos controlados pelo sistema de chakras e nadis .

O primeiro nadi a se formar é o sushumna (canal de energia que corre ao longo da medula espinhal), graças à ativação do sahasrara chakra (centro de energia do topo da cabeça) na extremidade craniana e do muladhara chakra (centro de energia da base da coluna vertebral) na extremidade caudal, visto que são centros energéticos que formam um sistema bi-polar (opostos que se complementam). Com isto, forma-se primeiramente a linha primitiva, depois a notocorda e o tubo neural, além de causar o espessamento do mesoderma que surge ao longo desse eixo e que formará a coluna vertebral e os músculos correspondentes.

Ao fim da terceira semana de gestação, entra em ativação o anahata chakra para formar o aparelho cardiovascular a partir do mesoderma visceral, formando-se dois tubos endocárdicos, um de cada lado do disco embrionário, que se fundem num tubo endocárdico único. A partir desse ponto, se desenvolve o coração até que se formem as quatro câmaras cardíacas e uma primitiva rede de vasos sanguíneos que vão se aprimorando durante as próximas semanas. Este é o primeiro aparelho a funcionar no embrião para que se supra as necessidades de um corpo em rápido crescimento e que exige uma voraz absorção de nutrientes, bem como a eliminação de seus resíduos. Por outro lado, com a ativação do anahata chakra , o Atmam , em fase de corporificação, ganha a possibilidade, ainda que num nível muito sutil, de se individualizar, demonstrando as suas tendências de karma e dharma e sua capacidade de optar (livre arbítrio).

Por volta do vigésimo terceiro dia de gestação (4ª semana) todos os demais centros de energia são acionados. O manipura chakra , que irá se tornar o nosso grande produtor de energia, juntamente com o svadhisthana chakra começam a ser intensamente dinamizados, fazendo com que ocorra o dobramento do embrião tanto no sentido crânio-caudal como no látero-lateral. Esse tracionamento das bordas laterais do disco embrionário ocorre, principalmente, por causa do aparecimento de dois canais sutis ao longo do eixo crânio-caudal de forma helicoidal e com seu giro em sentido contrário. Esses canais são ida e pingala nadi que juntos com sushumna nadi formarão uma tríade energética, de onde se estabelecerá o equilíbrio bio-psico-espiritual do Ser.

Enquanto vai acontecendo o dobramento crânio-caudal, o sahasrara chakra começa a formar os ventrículos laterais dos hemisférios cerebrais e a desenvolvê-los. O ajña chakra começa a sua energização para formar, inicialmente, as cavidades do III e IV ventrículos e, a partir destes, as estruturas encefálicas (hipotálamo, hipófise, mesencéfalo, ponte e cerebelo) além dos olhos e todo o seu sistema visual. Vale ressaltar que na quarta semana começa o desenvolvimento dos olhos. Quase que paralelamente, entre a quarta e quinta semana, a energia do vishuddha chakra desenvolve a cavidade da boca para que, a partir daí, apareçam várias bolsas e cresçam as estruturas dos arcos branquiais (faringe, laringe, língua, glote, epiglote, cordas vocais, ouvidos, seios nasais e toda a musculatura pertinente a esses órgãos) além de toda a árvore brônquica que formam os pulmões. Por sua vez, na extremidade caudal, o muladhara chakra forma o ventrículo terminal ao fim da medula espinhal (cauda eqüina) e mais tardiamente, após a formação do tubo intestinal e órgãos gênito-urinários, a ampola retal e a bexiga urinária, respectivamente.

Devido à intensidade da energia do manipura chakra acoplada ao svadhisthana e também ao muladhara chakra forma-se ao nível energético um bulbo alongado ( kanda ) de onde fluirão os nadis que irão se distribuir e energizar todo o corpo sutil e físico, propiciando a dinâmica bio-psico-energética da Alma humana. A formação do kanda fica bem evidenciada, no ponto de vista embriológico, pelo estreitamento da vesícula vitelina e sua junção ao alantóide (malha sanguínea que liga o embrião à mãe) para formar o cordão umbilical, além da intrincada rede de nervos e de vasos sanguíneos e linfáticos que se desenvolvem nesta região.

Na realidade, o que podemos pensar e analisar é que, durante o desenvolvimento de pranamaya-kosha surgem três pontos básicos de energia. São eles: sahasrara , muladhara e anahata chakras . O sahasrara chakra se desdobra no ajña e vishuddha chakras , bem como em inúmeros outros centros menores da cabeça e pescoço. O muladhara chakra se desdobra no svadhisthana e manipura chakras , como também nos centros menores do abdômen, bacia e membros inferiores. E o anahata chakra se expande para os lados e se desdobra nos centros menores dos membros superiores. Simbolicamente, podemos dizer que atraímos a energia do Céu, através do sahasrara chakra , e a Terra, através do muladhara chakra , para o centro do Ser, fazemos a nossa síntese alquímica e a expandimos para a humanidade, através do anahata chakra .

Após o fechamento da placa embrionária e formação do tubo endodérmico, ao final da quarta semana de gestação, o manipura chakra dá inicio ao desenvolvimento do tubo digestivo com a formação da bolsa gástrica e as expansões do endoderma para formação do fígado e do pâncreas, bem como dos intestinos delgado e grosso. Enquanto isso, o anahata chakra impulsiona a formação dos membros superiores e dias depois o muladhara chakra começa o desenvolvimento dos membros inferiores.

Na quinta semana, graças ao svadhisthana chakra , dá-se início ao desenvolvimento dos órgãos genitais, formando-se a bolsa escrotal no homem e a cavidade uterina na mulher, bem como os ductos e glândulas acessórias, as gônadas (ovários e testículos), além de desenvolver os rins e ureteres.

Da quinta ao final da oitava semana de gestação a malha energética se integra para completar a formação de todos os órgãos, aparelhos e sistemas do corpo. A partir da nona semana, podemos afirmar que annamaya-kosha está formado, deixando de ser um embrião para se tornar um feto e que até o final da gestação só haverá crescimento e adaptação ao meio intra-uterino.

Após o nascimento, annamaya-kosha passa por novas e profundas modificações (respiração, circulação sanguínea, ação da gravidade, luz e som), mantendo seu processo de crescimento e adaptação ao meio externo.

O annamaya-kosha é o veículo mais inferior da manifestação, é o nosso familiar corpo físico, pelo qual nos movemos no mundo material, constituído pelos cinco mahabhutas (elementos grosseiros), conforme a ciência védica: akasha (éter ou estado atômico que permeia o espaço), vayu (ar ou estado gasoso que movimenta a matéria), tejas (fogo ou estado ígneo que ilumina os corpos físicos), apas (água ou estado líquido que molda a matéria), prithivi (terra ou estado sólido que cristaliza a forma).

Desta forma, completa-se a corporificação da energia e o Self está perfeitamente implantado. Qualquer transtorno que aconteça durante a gestação ou durante o parto, ou ainda, após o nascimento são em decorrência das informações contidas no Campo de Intencionalidade da Alma, de acordo com o karma e o dharma que deve ser acionado. Dependendo da qualidade, da intensidade e do teor de informações contidas na energia armazenada em anandamaya-kosha , ela se precipita na matéria cada vez mais densa, podendo se manifestar ou não em annamaya-kosha . Alguns padrões energéticos causam transtornos até o nível de manomaya-kosha como são, por exemplo, as psicoses. Outros padrões alcançam o nível de pranamaya-kosha como são observados nas neuroses e num extenso grupo de distúrbios cardíacos, respiratórios, gastrointestinais, etc. E um último grupo de padrões energéticos se manifestam em annamaya-kosha como ocorre nas mal-formações do organismo e podem envolver os rins, o coração, os ossos ou mesmo o sistema nervoso.

Dr. Roberto Nogueira

Fisioterapeuta, Terapeuta dos Campos Sutis e Prof. de Yoga