A ALMA HUMANA E A CONSCIÊNCIA DE SI MESMA

O homem é o único entre os seres viventes que tem consciência de que existe, o senso do eu individual e a faculdade de pensar e de fazer perguntas a si mesmo. Tem dentro de si a exigência inata de compreender o significado da vida.

Estando o homem – este processo cósmico em evolução – ainda inconsciente de sua realidade, surgem as perguntas:

- “Quem somos?”

- “Por que vivemos?”

- “Para onde vamos?”

São nossas crises de maturação que nos levam a este questionamento e que, cedo ou tarde, as respostas eclodirão na consciência, impelindo-nos à busca da Verdade.

Por que, chegando a um certo ponto da vida, temos uma sensação de vazio, de insatisfação e infelicidade e sentimos que a nossa existência é inútil se não conseguirmos compreender o seu segredo ou mistério?

A razão de tudo isto se esconde no fato de que em nós deve haver qualquer coisa que transcende a nossa humanidade, um “quê” misterioso, mas real e potente, uma centelha divina que revela sua presença exatamente nesta aspiração de subir, de crescer, de se expandir, de progredir, de conhecer o Absoluto, ou seja, de auto-realizar-se plenamente. Na verdade, como diz Van Der Leeuw, “o mistério da vida não é um problema a resolver, mas uma realidade a experimentar”.

“A evolução, na realidade, é a transformação da energia em consciência.”

(Shri Aurobindo)

O grande problema que nos deparamos ao escrever sobre o Absoluto é a sua característica transcendental, pois seria o mesmo que tentar explicar o inexplicável, uma vez que o Uno é o mistério derradeiro, aquele diante do qual as palavras retrocedem, o que transcende todas as definições e contingências humanas e todo pensamento limitado.

Entretanto, embora o Uno não possa ser expresso em palavras, o silêncio também não é apropriado. Sua natureza transcendental há de ser apreendida naquele estado que não é nem discurso nem silêncio. O Absoluto é puramente metafísico e místico.

O seu significado está próximo da Causa Primeira Transcendental, da Unidade Primordial, do Inefável, do princípio eterno e onipresente do Universo, originando-o embora não seja Ele, sustentando-o e controlando-o; aquilo que foi anterior à criação do Céu e da Terra.

É a Realidade Derradeira, o Inominado, o Portal de todos os mistérios, a Ordem Cósmica, o Brahman ou Purusha dos hindus, a Mônada dos gregos, o Tao dos chineses, o que não possui nem qualidades nem atributos. Mas, apesar de todos os esforços, tais definições ainda são incompletas, levando a uma compreensão limitada.

O Absoluto é uma forma dinâmica, vital, que possui todas as forças inatas do potencial. Uma vez que o Absoluto não pode ser expresso em palavras, sendo em si um não-ser e, não obstante o potencial de todas as coisas, a Ele só podemos nos referir através do que não é; é o não existente que contém o potencial da existência; é o vácuo; a não aparência; as trevas onde a luz ainda não se manifestou, mas das quais emerge.

O mundo visível encontra-se num estado de fluxo e transitoriedade perpétuos. Ele não pára de se movimentar, de se transformar; não há nada fixo ou permanente no mundo dos fenômenos; todas as suas possibilidades estão no crescimento e somente Ele é capaz de revelar a vida; cada um é um e está em mutação, crescimento e evolução constantes. No mundo relativo, o Absoluto se transforma em toda manifestação da força do universo; a força que dá origem ao mutável.

O Uno é o reino da verdadeira existência dos homens; é o caminho e a meta. É a luz que vê e que é procurada; assim como Purusha nos Upanishads é o princípio de busca e ao mesmo tempo objeto buscado, o ideal que anima e a sua satisfação. Pois, o espírito que nos move em busca da Verdade é a Verdade que buscamos.

“Além do não-manifestado, está o Purusha , onipresente e indistinguível. Aquele que o reconhece, liberta-se e obtém a imortalidade”.

(Katha Upanishad, VI, 8)

“Além do Purusha , não há nada; Ele é o resultado, é o objetivo final”.

(Katha Upanishad, III, 11)

O Absoluto é tudo o que realmente É, e todo o universo visível e todas as formas de vida são suas expressões, produzidas por sua vontade. Faltam-nos palavras adequadas para descrever a natureza do Absoluto, mas usaremos duas palavras para descrevê-lo: VIDA e AMOR; a primeira descreve sua natureza externa; a Segunda a sua natureza interna. Manifestemos, pois, a VIDA e o AMOR como indício de nossa origem e nossa natureza interna.

NARADA

Dr. Roberto Nogueira

Fisioterapeuta, Terapeuta dos Campos Sutis e Prof. de Yoga